Escrito por Revista Época - 06/03/07 16:50:12
A ameaça velada de Renan 
“Sendo assim, nos sentimos liberados”. Com essa ameaça velada, o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), encerrou , hoje de manhã, conversa por telefone com o presidente Lula. Nela, Renan (
em foto de arquivo ao lado de Lula) informou o presidente de que Nelson Jobim havia jogado a toalha na disputa pela presidência do PMDB. Com a frase, Renan quis insinuar mais do que disse. Liberados para quê? Para se aliar à oposição? Nada disso.
Em nenhuma hipótese, Renan, o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA) ou o senador José Sarney (PMDB-AP), aliados na defesa da candidatura de Jobim, estão pensando em devolver ministérios ou a penca de cargos que controlam no governo federal. O que eles querem é aumentar o preço do apoio, na expectativa de conquistar novos nacos de poder.
Renan foi o porta-voz da irritação de Sarney, de Jader e do próprio Jobim com o fato de Lula na hora H ter resolvido pular fora da briga no PMDB. As chances de vitória do grupo dependiam do convencimento de lideranças partidárias de que essa era a vontade do presidente da República. Até a semana passada, Lula topara participar desse jogo. Mas depois que um levantamento feito no Palácio do Planalto -- com base nos números de votos contabilizados pelas duas correntes – mostrou o favoritismo do deputado Michel Temer (PMDB-SP) na disputa contra Jobim, o presidente mudou de estratégia.
Na noite do último domingo, 4 de março, Sarney e Renan foram ao Palácio da Alvorada tentar convencer Lula a ajudar Jobim. Mostraram um mapa em que a diferença pró- Jobim era de 60 votos. Disseram a Lula que Jobim dependia de um gesto do presidente para manter essa vantagem. Lula não poderia, por exemplo, confirmar esta semana a escolha do deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) como ministro da Integração Nacional. Lula não topou. Não só recebeu Geddel, como o convidou para o cargo e posou ao lado do deputado baiano para uma foto ( como se sabe, em política, a imagem sempre vale mais do que as palavras). Lula fez mais: mandou colocar na agenda do Palácio do Planalto uma audiência com Michel Temer. Para Renan, o encontro poderia até ocorrer- mas à noite no Palácio da Alvorada, a residência de Lula, e não à luz do dia e no Palácio do Planalto, local de trabalho do presidente. não haveria problema.
A irritação de Renan e Sarney com Lula é real. Mas ela serve como um bom pretexto para tirar o time de campo e evitar uma derrota certa de Jobim para Temer na convenção do PMDB marcada para domingo.
(Andrei Meireles)