Escrito por Revista Época - 27/02/07 12:11:33
A reação brasileira à diplomacia "bolivariana"
Hugo Chávez não apareceu na foto do encontro dos presidentes Lula e Tabaré Vázquez (ao lado), ontem em Colônia do Sacramento, no Uruguai, mas o presidente da Venezuela é o personagem oculto que explica boa parte da movimentação diplomática do Brasil para agradar os uruguaios.
O primeiro objetivo das concessões feitas por Lula ontem foi uma tentativa de segurar o Uruguai nas suas pretensões de assinar um acordo de livre comércio com os EUA. Mas o segundo foi mostrar que o Brasil, como maior economia da América do Sul, ainda tem capacidade de ser a principal liderança do continente - mesmo sem os petrodólares e a retórica radical de Chávez, que hoje encantam Evo Morales, na Bolívia, Rafael Correa, no Equador, e Nestor Kirchner, na Argentina, e erodiram a influência da diplomacia brasileira.
O melhor canal para o Brasil tentar exprimir essa liderança é o Mercosul, que Lula está querendo revigorar com as concessões feitas ao Uruguai. Os uruguaios, sócios-fundadores do bloco, estão insatisfeitos com um déficit de US$ 400 milhões no comércio com o Brasil e a falta de apoio brasileiro na controvérsia que eles travam com os argentinos em torno da instalação de fábricas de celulose na fronteira entre os dois países.
Por isso, boa parte da elite uruguaia acha que é melhor negócio deixar o Mercosul e tentar fechar um acordo de livre comércio com os EUA - com quem eles já têm um acordo de investimentos. Em Sacramento, o presidente Lula disse que "o Brasil tem que assumir suas responsabilidades de maior economia do Mercosul e precisa criar as condições para que o comércio seja o mais equilibrado possível". Com essas palavras - e os acordos celebrados ontem - ele quer convencer de que ainda é um ótimo negócio para os nossos vizinhos dar preferência ao Brasil.
(Guilherme Evelin)Clique aqui para ler reportagem de ÉPOCA sobre as dificuldades de Lula para manter a liderança política na América LatinaClique aqui para ler o noticiário completo do G1 sobre a visita de Lula ao Uruguai