Escrito por Revista Época - 26/10/06 16:26:00
Governo acha que falta de participação direta de Lula inviabiliza ação judicial
Há uma conseqüência jurídica grave se forem confirmadas as conclusões do inquérito paralelo de Lula. Pela legislação eleitoral reformada depois do escândalo do delubioduto, o candidato é tão responsável quanto o tesoureiro da sua campanha pelo crime de caixa-dois. Em tese, a Justiça Eleitoral poderia impugnar a candidatura mesmo depois da sua posse. Os ministros ouvidos argumentam que juridicamente a candidatura Lula está resguardada pela não-participação direta do presidente na operação. Argumentam ainda que o dinheiro recebido no caixa-dois foi entregue para um caixa geral do PT, não necessariamente para as campanhas de Lula ou de Mercadante. Ou seja: se as investigações policiais avançarem está pronta uma operação para isentar o presidente e responsabilizar- pela ordem -Ricardo Berzoini, o tesoureiro da campanha José de Filippi Junior e, no limite, o senador Aloizio Mercadante.
(Thomas Traumann)
Escrito por Revista Época - 26/10/06 16:28:36
Lorenzetti ligou para o Planalto dois dias antes das prisões
O presidente Lula soube das prisões de petistas por volta das 13h da sexta-feira, dia 15 de setembro. Estava bem-humorado depois da solenidade de assinatura da lei de Segurança Alimentar. A sua primeira reação foi um palavrão. “P... De novo, não!”, disse, referindo-se ao escândalo do delubioduto.
A informação foi levada pelo seu chefe-de-gabinete Gilberto Carvalho, que soube das prisões por volta das 9h - poucas horas depois da ação da PF. A sua fonte deu pistas do envolvimento do amigo Jorge Lorenzetti, coordenador da área de inteligência da campanha de Lula. Carvalho ligou ainda uma segunda vez para Lorenzetti naquele mesmo dia. Ele afirma terem sido as últimas conversas.
Dois antes da prisão, Lorenzetti tentou falar com Carvalho por duas vezes. Segundo o chefe-de-gabinete, as ligações -uma de 23 segundos e outra de 21 segundos - pararam na sua secretária. Ele não retornou as chamadas.
(Thomas Traumann)
Escrito por Revista Época - 26/10/06 16:34:49
Vedoins foram indicados por políticos de Mato Grosso
Na avaliação do Planalto, Berzoini sabia que seus assessores Oswaldo Bargas e Jorge Lorenzetti negociavam o dossiê com a família Vedoin desde o início de agosto. Eles foram aos Vedoin levados por políticos de Mato Grosso, depois que Vedoin acusou o senador tucano Antero Paes de Barros de envolvimento no esquema de superfaturamento de ambulâncias. Segundo as informações governistas, o depoimento dos Vedoin contra Antero teria custado R$2,5 milhões. Desde o início, portanto, o PT sabia que as informações dos Vedoin não sairiam de graça.
Na primeira conversa com o então diretor do Banco do Brasil Expedito Veloso e o ex-secretário do Ministério do Trabalho Oswaldo Bargas, os Vedoin pediram R$20 milhões e foram baixando até chegar a R$ 2 milhões. Também prometeram que a família não seria “perseguida” num eventual segundo governo Lula - palavra que na tradução dos dois ministros ouvidos por ÉPOCA se trata de uma promessa de interferência nos inquéritos policiais contra a família.
Quando a negociação chegou aos R$ 2 milhões - segundo a apuração paralela do Planalto- Berzoini foi avisado e autorizou o recolhimento do dinheiro, incluindo o que havia sido recebido por fora. Dois ministros e um coordenador da campanha de Lula que relataram a apuração paralela à ÉPOCa reclamaram da dificuldade de obter detalhes da transação. Dizem que depois de terem contratado advogados, os principais envolvidos passaram a se preocupar mais em não serem processados do que em ajudar a esclarecer o episódio.
Há divergências no Planalto sobre qual a participação de Aloizio Mercadante. A PF tem evidências de que foi o coordenador de comunicação de Mercadante, Hamilton Lacerda, quem levou as malas de dinheiro para o pagamento aos Vedoin. Os ministros ouvidos por ÉPOCA acreditam ser improvável que um político centralizador como Mercadante não soubesse das andanças de seu assessor de campanha. Nas conversas de Lula com os ministros, Mercadante foi chamado de “vacilão”. O senador nega veementemente participação no caso. Na principal declaração pública sobre o assunto, Lula disse à Folha de S. Paulo que havia conversado com Mercadante. “Ele disse que não sabia, e disse que era contra”, disse Lula.
(Thomas Traumann)
Escrito por Revista Época - 26/10/06 16:37:14
EXCLUSIVO: Dinheiro do dossiê veio do caixa-dois com aval de Berzoini, acredita Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse a dois ministros acreditar que parte dos R$1,7 milhão usado na tentativa de compra de dossiê contra o PSDB veio do caixa-dois do PT e que seu recolhimento foi autorizado pelo seu ex-coordenador de campanha, ex-ministro e presidente licenciado do partido, Ricardo Berzoini.
Nas quase seis semanas depois da prisão de Gedimar Passos e Valdebran Padilha com o dinheiro, Lula ordenou uma investigação paralela sobre o caso. Ministros, dirigentes petistas e delegados na Polícia Federal recolheram informações contraditórias, mas que permitiram ao Planalto montar um esboço de como foi arquitetada a compra do dossiê. O próprio presidente se envolveu na apuração, conversando com Ricardo Berzoini, o candidato derrotado ao governo de São Paulo Aloizio Mercadante e vários dirgentes da sua campanha. Há informações de que no dia 17, dois dias depois das prisões pela PF, Lula teria se encontrado com o ex-ministro José Dirceu. Procurado, Dirceu diz que não falou com o presidente sobre o caso.
(Thomas Traumann)
Escrito por Época - 26/10/06 20:03:52
Lula nega suspeita sobre Berzoini
O ministro da Articulação Política, Tarso Genro, ligou as 19h30 para a revista ÉPOCA negando oficicialmente que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tivesse tirado conclusões sobre as responsabilidades e origem do dinheiro que pagou o dossiê contra o PSDB. "O presidente nega que tenha, em algum momento, externado opiniões deste gênero. Ele quer que a Polícia Federal apure as responsabilidades, o Ministério Público acompanhe as investigações e que a Justiça julgue e condene quem de direito. Não cabe ao presidente, ou a qualquer de seus ministros, tirar conclusões sobre um inquérito em andamento", afirmou o ministro. Segundo ele, "se ministros disseram à ÉPOCA o que está no blog eles não merecem a confiança do presidente".
O ministro ficou especialmente preocupado com a informação publicada neste blog de que o dinheiro que pagou o dossiê contra o PSDB teria vindo do caixa-dois da campanha. "O presidente Lula nunca concordaria com um crime", disse o ministro. Se comprovado o crime de caixa-dois, a candidatura Lula pode ser até impugnada pela justiça eleitoral.
ÉPOCA ligou para uma de suas fontes da reportagem. Ela confirmou o que foi publicado.
(Thomas Traumann)
Escrito por Época - 26/10/06 20:53:51
Tensão pré-eleitoral
A pouco mais de 48 horas das eleições o clima é de muita tensão no Maranhão. Os partidários do ex-prefeito Jackson Lago (PDT) tentaram até o último instante impedir que imagens da senadora Roseana Sarney (PFL) de mãos dadas com o presidente Lula fossem ao ar no horário eleitoral gratuito. Como não conseguiram, São Luís amanheceu coberta por cartazes em que Lago aparece de mãos dadas com Lula. As imagens são de campanhas passadas, quando Lula não queria nem ouvir falar da família Sarney - e vice-versa.
Na TV, Lago contra-atacou com imagens de um comício de 1996, onde Lula pediu votos para o então candidato a prefeito. E manteve no ar as imagens da campanha de 1998, em que Lula dizia que Roseana, que disputava a reeleição como governadora, só liderava as pesquisas porque tinha o controle dos meios de comunicação do Maranhão. Roseana acabou reeleita. Agora, o apoio de Lula pode ser decisivo para lhe garantir o terceiro mandato.
A disputa está tão acirrada que os pefelistas cogitam pedir ao TSE o envio de tropas federais para garantir a segurança no domingo. Os aliados de Roseana acusam a polícia maranhense de estar a serviço da candidatura Lago, que tem o apoio do governador José Reinaldo Tavares (PSB). É a mesma acusação de que a família Sarney era alvo quando tinha o controle da máquina.
(Ronald Freitas)