Escrito por Revista Época - 20/10/06 17:16:33
O outro lado
Altenfelder diz que não há conflito de interesses nesse caso porque ele se retirava da sala de reuniões do PED quando o assunto era Nossa Caixa. Essa informação não consta na ata que discute em detalhes da venda da subsidiária de Seguros e Previdência, segundo ele, por causa de um equívoco da pessoa que redigiu o documento. O presidente da Mapfre, Antônio Cássio dos Santos, também afirma que Altenfelder não participava das discussões sobre Nossa Caixa no PED e usa um argumento econômico para defendê-lo: “Pagamos R$ 70 milhões de ágio nesse leilão. Isso mostra que não tivemos informação privilegiada."
A resposta mais surpreendente é a do ex-governador Alckmin. Numa entrevista veiculada ao vivo pela Rede TV! na última quarta-feira, ele foi questionado sobre a acusação de dupla militância de Altenfelder. “O doutor Ruy é uma das pessoas mais corretas que eu conheço”, afirmou o presidenciável. “Não vejo nenhum problema nisso”, resumiu.
(Ricardo Mendonça)
Escrito por Revista Época - 20/10/06 17:17:36
Privatização polêmica
O debate sobre privatização não se resume à questão ideológica. Uma ação que corre na Justiça contra a privatização da Nossa Caixa Seguros e Previdência em São Paulo tem atrapalhado o sono de alguns tucanos. Um dos questionamentos diz respeito à atuação do empresário Ruy Martins Altenfelder nessa venda. Ele foi indicado pelo então governador Alckmin para fazer parte do conselho do Programa Estadual de Desestatização (PED), grupo do governo que tinha como missão definir os critérios de venda das estatais. Mas, ao mesmo tempo, Altenfelder também era -e ainda é- membro do conselho de administração da Mapfre, a empresa que disputou e venceu o leilão da Nossa Caixa Seguro e Previdência.
Essa dupla militância de Altenfelder, segundo a reclamação que corre na 13ª Vara Federal, fere o princípio da moralidade: a mesma pessoa não pode participar direta ou indiretamente de uma licitação (no caso, a privatização) se dirige ou é o responsável pela licitação. Leia abaixo o outro lado.
Escrito por Revista Época - 20/10/06 17:21:57
Discurso desafinadoEm campanha, o presidente Lula e seus auxiliares discursam contra as privatizações e o ajuste fiscal. Foi com acusações de que, se eleito, Geraldo Alckmin poderia privatizar o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, a Petrobras e os Correios, que Lula e seus ministros acuaram o adversário. Só faltou combinar o discurso afinado da campanha com a prática do resto do governo. No site do
Tesouro Nacional, por exemplo, encontra-se um elogio às privatizações e ao ajuste fiscal.
"Para enfrentar os fatores de natureza estrutural que se encontram na raiz do desequilíbrio fiscal o Governo tem adotado um conjunto de iniciativas ao longo dos últimos anos. Entre as principais medidas destacam-se: as reformas constitucionais e legais da ordem econômica, que permitiram a implementação do importante processo de privatizações de empresas estatais; os acordos de ajuste fiscal com os Estados; o saneamento e privatização dos bancos estaduais; e o aprimoramento dos mecanismos de controle do endividamento de Estados, Municípios e estatais."
(Isabel Clemente)