Escrito por Época - 26/05/06 18:38:24
Poderia ser pior

O secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, disse que a realização de leilões extras para a recompra de títulos do governo, que estavam em mãos de investidores estrangeiros, foi importante para frear perdas em um momento de volatilidade como o desta semana. Entre quarta-feira e hoje, o Tesouro gastou quase R$ 4 bilhões para capturar papéis NTN-B. "Estamos analisando a necessidade de novos leilões a cada dia". Na opinião do economista, se o Tesouro tivesse hesitado, a confiança dos detentores dos títulos poderia cair. “Agimos sem agredir o mercado. Não se pode dar um passo atrás”, afirmou.

Ele lembra que o quadro diante das incertezas do câmbio é mais ameno porque o governo praticamente zerou as dívidas do governo atreladas à moeda americana. “Se não tivéssemos feito o dever de casa, o impacto na dívida pública seria significante com a variação do dólar”. De acordo com Kawall, a forte oscilação dos mercados verificada na semana não contaminou os fundamentos da economia brasileira. “Está ligada à política norte-americana de juros”, disse.

O secretário garantiu que o país, a despeito de crises externas, vai atingir a meta de superávit fiscal (receitas menos despesas, antes do pagamento de juros). “Não sei exatamente de quanto vai ser. É difícil mirar um número e cravar. Mas vamos conseguir”. Na avaliação dele, a discussão que se trava diante da dedução de recursos do Projeto Piloto de Investimentos (PPI) no cálculo do superávit é menor. “Em primeiro lugar a dedução está prevista em lei. Depois o valor é de 0,14% do PIB. Isso é residual. Não é o ponto chave do ponto de vista fiscal”. Além disso, afirmou que o PPI é importante porque os investimentos trarão bom retorno para a economia.

Afirmou que a discussão mais importante é sobre qualidade dos gastos públicos. "Ela deve estar na pauta dos candidatos à presidência". Ressaltou que as despesas correntes têm crescido muito e que a meta fiscal tem sido obtida por intermédio do incremento de impostos. “Temos de tratar desse assunto porque a carga tributária, ao que parece, chegou ao limite. O governo, inclusive, já está desonerando a carga de alguns setores”, disse.
Murilo Ramos
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