Escrito por Época - 19/04/06 11:44:37
Retrocesso
Fica difícil levar a sério o discurso de moralidade ensaiado por todos os partidos quando se analisa a fundo as regras para os gastos eleitorais, aprovadas ontem no Senado. Parlamentares de todos os partidos se uniram contra o artigo que exigia prestação diária de contas de campanha na internet.
Os parlamentares se limitaram a fazer as mudanças que beneficiam o caixa de campanha e tornam as eleições mais baratas. Vão reduzir o tempo de propaganda na tv, proibir a distribuição de chaveirinhos e a gravação de cenas externas. Ou seja, se tudo der certo, vai continuar a haver caixa dois mas será um caixa dois menor, porque a campanha será mais barata.
Gustavo Krieger
Escrito por Época - 19/04/06 14:46:39
Fala mansa
A boa vontade do governo com os pleitos da oposição na última rodada de negociação do Orçamento para 2006 tem razões que vão muito além do simples projeto orçamentário. Lula deu a ordem para que os ministros fossem o flexíveis com os pedidos porque está interessado em criar pontes de conversa com a oposição. Em tempos de ameaça de impeachment e com uma pesada campanha eleitoral pela frente, o presidente quer economizar inimigos e diminuir a tensão nas relações políticas, especialmente no Congresso. Um dos canais nos quais ele aposta são os governadores, beneficiários da negociação do Orçamento. Outro são os parlamentares do chamado "baixo clero". Se algum dia um pedido de impeachment for votado, Lula sabe que é na mão destes deputados que estará seu futuro. E eles são muito influenciáveis pela liberação de verbas das emendas que colocam no Orçamento.
Gustavo Krieger
Escrito por Revista Época - 19/04/06 15:13:07
A pergunta de R$ 12 mil
Tá bom, a empresa José Dirceu & Associados gastou R$ 12 mil para fretar o jatinho Citation 500 que na semana passada levou o ex-ministro de São Paulo a Juiz de Fora. Mas quem são os associados de José Dirceu?
Thomas Traumann
Escrito por Época - 19/04/06 17:19:37
Armadilha
A oposição aprovou a proposta do senador petista Aloizio Mercadante para reduzir o custo das campanhas eleitorais. Entre as propostas aprovadas estão a proibição de cenas externas nos programas de televisão. Eles terão de ser feitos apenas em estúdio. Os oposicionistas votaram pela medida porque esperam enfrentar campanhas com poucos recursos depois de tantas denúncias sobre o caixa dois e doações ilegais. O problema é que a proposta pode esconder uma armadilha.
Com a probição de "cenas externas" nos programas, o PT poderá pedir à justiça eleitoral que proíba o uso de imagens gravadas de grande potencial destrutivo contra o governo Lula e seus aliados. Por exemplo:
- A cena em que Waldomiro Diniz cobra propina do empresário de jogos Carlinhos Cachoeira.
- As imagens do funcionário dos Correios Maurício Marinho embolsando a propina de R$ 3 mil.
- Depoimentos nas CPIs. Todos. Roberto Jefferson, Francenildo, Marcos Valério, etc...
São todas "cenas externas".
"Talvez a gente tenha feito uma grande bobagem", reconheceu o senador tucano Arthur Virgílio, em uma conversa reservada hoje à tarde.
Andrei Meireles
Escrito por Época - 19/04/06 17:21:53
Fora de jogo
Discretamente, o governo Lula retirou do Congresso a indicação de Luiz Paulo Barreto para o Superior Tribunal Militar. Ele é secretário-executivo do Ministério da Justiça e seu nome teria de ser aprovado pelo Senado. Nestes tempos de tiroteio contra o ministro Márcio Thomaz Bastos, o risco era grande demais.
Andrei Meireles
Escrito por Época - 19/04/06 21:54:41
Todos por um
Os três mosqueteiros do PMDB governista, senadores Renan Calheiros, José Sarney e Ney Suassuna, estão em pé de guerra. Ameaçam até romper com o Palácio do Planalto. O motivo é o de sempre. Não tiveram suas reinvindicações atendidas. Sarney queria o apoio dos petistas nos dois estados onde faz política, o Maranhão e o Amapá. Suassuna precisava do apoio do PT na eleição da Paraíba, dominada pelo governador tucano Cássio Cunha Lima. E Renan, que não é candidato a nada, quer indicar o apadrinhado Paulo Lustosa para o Ministério da Saúde. Juntos, os três têm ainda uma longa lista de nomeações a encaminhar. Já tiveram conversas tensas com o ministro da Articulação Política, Tarso Genro, e com o próprio Lula.
Os três dizem que estão perdendo espaço no governo e no partido. As ameaças veladas ganharam força nos últimos dias.
Andrei Meireles