Escrito por Revista Época - 11/04/06 16:01:42
Contra o tempo
Chocado com o resultado das pesquisas, finalmente, o PSDB começou a se esforçar para fazer de Geraldo Alckmin um político nacional. A executiva tucana decidiu que Alckmin será a estrela das três inserções de cinco minutos que o PSDB tem direito em rádio e TV no final deste mês. Nos programas de 20 minutos marcado para 29 de maio, Alckmin ocupará 70% do tempo nos Estados em que o partido não terá candidato a governador. Onde haverá candidato, Alckmin terá 50% do programa.
(Thomas Traumann)
Escrito por Época - 11/04/06 16:07:32
Mais uma pesquisa
Hoje é um daqueles dias em que ninguém fica sem assunto em Brasília. Tem pesquisa nova na praça. Desta vez foi a do instituto Sensus, feita por encomenda da Confederação Nacional dos Transportes. Como sempre, mal os números saíram e os políticos se dedicaram a tentar encontrar interpretações favoráveis a seus objetivos.
O primeiro erro a evitar na leitura da pesquisa Sensus são comparações equivocadas com o Datafolha que saiu no domingo. Já tem gente “estranhando a contradição” entre as duas. Tudo porque o Datafolha identificou uma pequena queda do candidato tucano, o governador Geraldo Alckmin, enquanto a Sensus mostra um leve crescimento, ambos dentro da margem de erro. Não dá para comparar. A pesquisa anterior da Sensus foi feita em fevereiro. A do Datafolha é de março.
O Datafolha de fevereiro mostrava Alckmin com 17%. Em março, impulsionado pela exposição garantida por sua escolha como candidato oficial do PSDB, ele foi a 23%. Na pesquisa de abril, aparece com 20%. Na Sensus, ele foi de 17,6% em fevereiro para 20,6% em abril. Curvas bem parecidas, portanto.
E quanto ao presidente Lula? Segundo a Sensus, ele tinha 42,2% das intenções de voto em fevereiro e hoje tem 37,5%. Por mais que esteja dentro da margem de erro da pesquisa, só dá para ler este resultado como queda. Mais uma fez, um movimento bem parecido com o do Datafolha, segundo o qual Lula tinha 43% em fevereiro e 40% em abril.
As duas pesquisas mostram um quadro semelhante. Lula sofre um pouco com os ataques da oposição e as denúncias contra seu governo, mas continua a desfrutar de uma posição de liderança. Alckmin não conseguiu manter a tendência de crescimento que obteve logo depois do lançamento de sua candidatura. Está em segundo lugar, mas vê o candidato do PMDB, Anthony Garotinho incomodamente perto.
Quando o Sensus colocou diante dos eleitores pesquisados a lista com todos os candidatos lançados até agora, o resultado ficou assim:
Lula 36,6%
Geraldo Alckmin 19,6%
Anthony Garotinho 13,6%
Heloísa Helena 4,9%
Cristovam Buarque 1,7%
Roberto Freire 1,3%
Somados, os adversários de Lula chegam a 41,1%. Ou seja: se não derem certo as manobras do governo para tentar tirar Garotinho da disputa, há uma forte tendência de que a eleição só se resolva no segundo turno. Hoje, Lula aparece com boa vantagem nas simulações de segundo turno, tanto contra Alckmin quanto contra Garotinho. Venceria o tucano por 45% contra 33,2% e o peemedebista por 48,5% a 24,5%. Mas a experiência de outras disputas mostrou ao próprio Lula que este tipo de disputa é traiçoeiro. Por isto, o presidente se esforça tanto para tentar criar um cenário no qual as eleições se resolvam rapidamente.
A exemplo do que fez o Datafolha, a pesquisa Sensus perguntou aos entrevistados sobre seu conhecimento e opinião a respeito do escândalo provocado pela quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Uma parcela de 34,2% disse que tem acompanhado o noticiário sobre o caso e outros 25,8% responderam que “ouviram falar” no assunto enquanto 37,5% desconheciam o caso. Entre os que estavam informados, 62,1% acham que o caso foi negativo para as pretensões de reeleições de Lula.
Os relatórios detalhados da pesquisa do Datafolha, disponíveis no site do instituto www.datafolha.com.br permitem uma avaliação interessante do impacto eleitoral do caso. Entre os eleitores que se disseram bem informados sobre o escândalo do caseiro, Lula tem 35% das intenções de voto e Alckmin fica com 28%. Entre os que não tomaram conhecimento do assunto, Lula vence o tucano por 46% a 11%.
Estes números mostrariam que o caso teve um efeito devastador sobre as intenções de voto em Lula? Mais provável que mostrem outro fenômeno. Lula é cada vez mais um candidato dos grotões, dos mais pobres e, portanto, dos mais desinformados. Não é que as pessoas votem nele porque não ouviram falar das denúncias. O fato é que os eleitores de Lula tem menos acesso às informações e acabam desconhecendo as denúncias.
Normalmente existe um fenômeno de “onda” nestes casos. A informação se espalha dos eleitores com maior poder aquisitivo até os mais pobres e, em conseqüência, se espalham também as intenções de voto. Lula já provou que com ele a coisa é um pouco diferente. A posição da classe média e dos mais ricos não chega a contagiar os mais pobres. Em vez de julgar o governo pelo noticiário, estes eleitores estão avaliando as medidas que os atingem diretamente.
Mais uma vez, a pesquisa ajuda a entender os motivos. Entre os eleitores entrevistados pela Sensus, 17,5% recebem algum tipo de assistência dos programas sociais do governo. Outros 41% conhecem alguém beneficiado. São estes os eleitores de Lula.
A partir destas pesquisas, o jogo político tende a ficar ainda mais duro. A oposição vai levantar o tom dos ataques. O governo vai ampliar as medidas populistas. E vai sobrar pouco espaço para discutir os problemas reais do país.
Gustavo Krieger
Escrito por Época - 11/04/06 16:15:58
Prejuízo iminente
A quebra da Varig deve pesar nos cofres da Câmara dos Deputados. Por comodidade dos deputados, a Câmara paga adiantado as cinco passagens mensais que cada um deles tem direito. É muito pouco provável que o valor dos trechos não voados retorne aos cofres públicos caso a companhia pare de voar. Para se ter uma idéia do tamanho do rombo, a Transbrasil, que sempre foi muito menor do que a Varig, deve mais de R$ 5 milhões à Câmara.
Ronald Freitas
Escrito por Revista Época - 11/04/06 16:21:32
Opportunity ganha uma na briga pela BR-T
A Justiça do Rio acaba de dar ganho de causa ao banco Opportunity em ação sobre o controle da companhia telefônica Brasil Telecom (Br-T). A sentença _ um agravo de instrumento da 8 Câmara Civil do Rio _ derruba liminar que permitiu aos fundos de pensão liderados pela Previ e ao banco americano Citibank assumirem o controle da Brasil Telecom. O Opportunity tem agora a possibilidade de retomar o controle da empresa. Cabe recurso à decisão.
(Thomas Traumann)
Escrito por Época - 11/04/06 18:16:22
Em campanha
Garotinho passou o dia em Brasília, envolvido em reuniões políticas. Entusiasmado com as últimas pesquisas, lançou uma ofensiva para tentar convencer o PMDB a embarcar de vez em sua candidatura.
Matheus Leitão
Escrito por Época - 11/04/06 19:25:31
Delivery
O deputado Osmar Serraglio, relator da CPI dos Correios, e o senador Delcídio Amaral, presidente da Comissão, estão na sala do secretário da Receita Federal, Jorge Rachid. Foram entregar a Rachid o texto final preparado por Serraglio. É a última reunião do dia. Já estiveram hoje no Ministério Público e na Polícia Federal com o mesmo objetivo: compartilhar os dados da investigação.
Matheus Leitão
Escrito por Época - 11/04/06 20:47:24
Pioneirismo em MG
O Banco Mundial aprovou nesta terça-feira um empréstimo de US$ 170 milhões ao governo de Minas Gerais. O dinheiro vai ser aplicado para melhorar a política fiscal do Estado, modernizar o sistema administrativo e financiar empresas locais. Minas Gerais é o primeiro estado brasileiro beneficiado com um financiamento nessa modalidade. O governo mineiro terá 17 anos para pagar o empréstimo, com três de carência.
Murilo Ramos