Escrito por Época - 10/04/06 11:53:12
Pesquisas
Políticos não gostam de admitir, mas são movidos pelas pesquisas de opinião pública. Os índices moldam as estratégias, influenciam os discursos, pautam as alianças e o humor dos candidatos. A pesquisa do Datafolha divulgada neste domingo é especialmente importante porque ser a primeira feita em meio ao atual momento da crise política. Os políticos da oposição esperam a queda de Lula. O Palácio do Planalto também. Mas a queda não veio. Resta aos dois lados procurar as explicações.
Um dado importante é que a população já associa a imagem de Lula às denúncias de corrupção em seu governo. Mesmo assim, a maior parte dos eleitores continua disposta a votar nele. "Se falou tanto em corrupção nos últimos meses que, de certa forma, o eleitor está vacinado. Ele sofreu um choque ao perceber que o PT, que tinha fama de ser um partido mais honesto, se envolvia neste tipo de esquema. Mas depois que assimilou isto, colocou todos no mesmo patamar e não usa este critério para decidir o voto", diz Ricardo Guedes, do Instituto Sensus, que tem pesquisa pronta para divulgação amanhã.
Na oposição, os resultados do Datafolha obrigam a uma reflexão. Até que ponto a tática de bater no governo dá certo? Depois de meses, os resultados nas pesquisas são pífios. Há uma divisão entre os dois principais partidos oposicionistas. O PFL quer continuar atacando. O PSDB está mais cauteloso. A disputa opõe os marqueteiros e especialistas em pesquisas das duas legendas.
Por enquanto, o bombardeio vai continuar, mas restrito ao Congresso. O ataque caberá às tropas de choques no plenário e na CPI dos Bingos. Alckmin vai ficar de fora do bate-boca. Até porque está enfrentando sua própria cota de denúncias.
Outra questão levantada pela pesquisa é o crescimento de Anthony Garotinho. Ainda é um crescimento incipiente e pode ter explicações de momento. Garotinho está na mídia, ganhou as prévias do PMDB e se beneficiou de inserções do PMDB em rede nacional de televisão. Mas também pode representar um fenômeno que apareceu claramente nas eleições de 2002 _ a busca de uma terceira via. Na eleição passada, os eleitores transitaram entre vários nomes que surgiam como alternativas à polarização entre Lula e o tucano José Serra. Primeiro foi Roseana Sarney, do PDFL. Depois, Ciro Gomes. Eles não tiveram força para resistir à campanha, mas demonstraram que o espaço existe.
Nesta eleição, ainda não apareceu nenhum nome com esta cara de "terceira via". Garotinho desperta desconfiança até em seu partido. Heloísa Helena, do PSOL tem um discurso regional demais e nenhuma máquina partidária. Roberto Freire, do PPS, e Cristovam Buarque do PDT não entusiasmam. Mas ainda é muito cedo. Nomes que estão oficialmente fora da disputa podem surgir. O ex-presidente Itamar Franco já deixou clara sua disposição de entrar na briga pelo PMDB, por exemplo.
Em resumo: o que as pesquisas mostram é a surpreendente resistência do presidente e a dificuldade para afirmação de um anti-Lula. Mas com a imensa capacidade do governo de causar problemas para si mesmo, nada está decidido.
Gustavo Krieger
Escrito por Época - 10/04/06 12:03:59
Três perguntas
Breve entrevista com Susan Kaufman - Diretora do Centro de Política Hemisférica da Universidade de Miami
Época - O presidente Lula se enfraqueceu depois do episódio da quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo?
Kaufman - Certamente. Ele vem perdendo pontos. Mas sua popularidade entre os mais pobres é grande em virtude de sua história pessoal. Conseguiu também conquistar parte da elite a partir da política econômica, sem aventuras.
Época - A senhora acredita que ele perca mais popularidade até a eleição?
Kaufman - Isso vai depender do surgimento de novos escândalos. Se aparecerem outros a tendência é que Lula se desgaste. Até agora ele tem se safado porque nenhum escândalo o atingiu diretamente.
Época - Quais são os maiores desafios do próximo presidente?
Kaufman - O primeiro é controlar as despesas públicas, que têm crescido nos últimos tempos. Depois é tornar o Brasil um país mais competitivo. Empreender no Brasil é uma tarefa muito difícil, burocrática. O desafio é tirar o país de uma posição muito ruim no ranking da competitividade mundial.
Murilo Ramos
Escrito por Época - 10/04/06 16:52:55
As razões do delegado
O delegado Rodrigo Carneiro Gomes, que investiga a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa, não vai tomar o depoimento do ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Para Gomes, não é necessário ouvir o chefe porque sua investigação é sobre a quebra de sigilo e não sobre a eventual participação de Bastos na operação que tentou salvar o ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci.
Matheus Machado
Escrito por Época - 10/04/06 17:24:44
Agora é oficial
O sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa está oficialmente quebrado. A Polícia Federal conseguiu hoje a autorização. A Justiça também autorizou busca e apreensão na Caixa e a quebra do sigilo do laptop usado para obter ilegalmente o extrato do caseiro. A PF, no entanto, diz que não fará as buscas no banco oficial porque a instituição estaria colaborando com as investigações. Francenildo também tem colaborado.
Matheus Machado
Escrito por Época - 10/04/06 17:27:49
Feriadão
O Ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, queria ir ao Congresso até quarta-feira. Mas só deve dar explicações na próxima semana. Não deve ter senador para ouví-lo antes do feriadão de Páscoa.
Matheus Machado
Escrito por Época - 10/04/06 17:32:15
Alô, alô, CNJ
É bom o Conselho Nacional de Justiça abrir o olho. O Tribunal Regional do Trabalho no Pará abriu concurso para contratar taquígrafos, mas o edital prevê apenas provas de português e conhecimentos gerais. Nada de prova prática, para saber se os aprovados conhecem a linguagem que terão de usar no trabalho.
Ronald Freitas