Escrito por Época - 05/04/06 11:51:26
O embaixador
O novo coordenador político do governo Lula, Tarso Genro, começou a agir. O primeiro movimento foi a visita à OAB. Lá, como revelou o blog do jornalista Josias de Souza, está em gestação um pedido de impeachment do presidente Lula. Tarso esteve lá para uma conversa com o presidente da entidade, Roberto Buzzato, acompanhado de políticos petistas e de advogados influentes. A conversa foi civilizada. Não mudou a posição da Ordem dos Advogados, mas abriu canais de diálogo.
A próxima ofensiva será com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, outro setor da sociedade que se afastou muito do governo Lula.
Gustavo Krieger
Escrito por Época - 05/04/06 14:45:09
Propaganda em alta
O governo federal não tem economizado quando o assunto é publicidade. No primeiro trimestre deste ano, foram liberados R$ 78,7 milhões, envolvendo propaganda institucional e de utilidade pública. O resultado é 86% mais alto do que o verificado em igual período do ano passado.
Murilo Ramos
Escrito por Época - 05/04/06 17:46:36
Inimigo íntimo
O PMDB é capaz de coisas que só o PMDB é capaz. A ala governista do partido estuda a idéia de apoiar como candidato a líder do partido o deputado Geddel Vieira Lima. O mesmo Geddel que sempre foi um dos críticos mais ferozes do governo Lula no Congresso. A explicação: nenhuma das alas do partido tem maioria para eleger o novo líder. Geddel poderia ter votos nos dois lados. Além disto, é contra a candidatura própria do PMDB, o que coincide com os interesses do governo.
Andrei Meireles
Escrito por Época - 05/04/06 17:52:03
O nome é Asdrúbal
Não há chance de acordo entre governo e oposição em torno do relatório da CPI dos Correios. A disputa vai ser no voto. Os dois lados juram que vão ganhar por 16 votos a 15. Os dois lados juram ter garantido o voto do deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA). Ele é quem vai decidir.
Thomas Traumann
Escrito por Época - 05/04/06 18:02:09
Com a CPI
Se a votação sobre o relatório da CPI dos Correios terminar empatada (o que é possível), o presidente da Comissão, senador Delcídio Amaral (PT) ficará com o problema de desempatar. Já avisou ao governo: votará com o relator da CPI, deputado Osmar Serraglio.
Thomas Traumann
Escrito por Época - 05/04/06 18:21:49
Com o relator
Passou o relatório de Osmar Serraglio. É uma derrota política pesada para o governo. O Planalto jogou todas as suas fichas na rejeição da proposta. E perdeu.
Escrito por Revista Época - 05/04/06 19:02:55
Sarney: um pé em cada canoa
Mestre nas acrobacias políticas (como atestam 40 anos de sobrevivência no poder), o clã Sarney, aliado de Lula, já acena também para Geraldo Alckmin, o candidato presidencial do PSDB. O clã disse que poderá apoiar Alckmin, desde que o PSDB do Maranhão se alie à candidatura de Roseana Sarney ao governo estadual. A oferta foi feita ao presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissati, mas está esbarrando na resistência dos tucanos maranhenses. Lá, o partido vai manter o apoio ao ex-prefeito de São Luís Jackson Lago (PDT), avisa o presidente do diretório regional do PSDB, deputado Sebastião Madeira, que também dirige o Instituto Teotônio Vilela, o centro de estudos dos tucanos.
(Guilherme Evelin)
Escrito por Época - 06/04/06 10:50:42
Vem aí as pesquisas
A temperatura da crise política depende em muito da próxima rodada de pesquisas de opinião. Pelos registros na justiça eleitoral, este final de semana vem os resultados do DataFolha e no início da próxima semana a pesquisa CNT Census. Os pesquisadores mal começaram o trabalho de campo, portanto o que existe até agora é um amontoado de palpites. O certo é que o resultado destas pesquisas vai fazer governo e oposição calibrarem suas estratégias eleitorais. Se o turbilhão de denúncias das últimas semanas (especialmente o caso Palocci) tiver provocado uma erosão significativa nos índices de popularidade do presidente, o tom da briga vai engrossar muito.
O Palácio do Planalto recebeu nos últimos dias informações sobre pesquisas setoriais, feitas por telefones. Elas mostram um dano à imagem de Lula, mas ainda pequeno. O problema é saber se isto significa que o presidente continua a mostrar capacidade de sobrevivência ou se, ao contrário, marca o início de uma tendência de queda. Vale lembrar que na crise do mensalão, passaram semanas entre a entrevista bomba do deputado Roberto Jefferson e o ponto mais baixo da popularidade de Lula.
Gustavo Krieger