Escrito por Revista Época - 28/03/06 20:23:03
Palocci virou o Macbeth de Ribeirão
O ex-ministro Antonio Palocci passou os últimos dias tentando se passar por Henrique II, o rei da Inglaterra do final do século XIII que conseguiu do papa a nomeação de um ex-auxiliar como bispo de Canterbury. Esperava assim dominar todas as ações da Igreja. Só que uma vez no cargo, o amigo, Thomas Becket, passou a agir com independência. Furioso, o rei desabafou numa roda de nobres: "Estou cercado de covardes. Quem vai me livrar desse padreco?". Um mês depois, Becket foi decapitado e Henrique II entrou para a história como o responsável pelo crime, embora pudesse jurar nunca ter ordenado o assassinato. Palocci se segurava na promessa de que ele também nunca ordenara a quebra do sigilo do caseiro Francenildo, mas sim assessores seus, leais a sua angústia. Era culpado, no máximo, de ter amigos que ultrapassam os limites da lei. Bonito, mas mentiroso. Palocci se comportou muito mais como o Macbeth de Shakespeare, um homem simples que, seduzido pelos presságios das três bruxas e da ambição desmedida da sua mulher, acaba levando a Escócia à guerra civil. Na peça, Macbeth justifica a carnificina pela disputa pela coroa. No caso de Palocci, pela sua manutenção no poder. Atenção: o poder dele Palocci, não o do presidente Lula. Como ministro sereno de um governo à beira de um ataque de nervos, Palocci se acostumou a ser interlocutor de grandes empresários, banqueiros e líderes de oposição. Era o "pau do circo" na avaliação do deputado Delfim Netto, a garantia de que Lula não faria desatinos da área econômica, o "encantador de serpentes" na voz de George Soros, enfim, era um político desconhecido que se tonara poderoso, muito poderoso. E Palocci gostava do poder. Palocci não caiu porque assessores seus quebraram o sigilo do bancário do caseiro. Nem porque amigos seus de Ribeirão Preto usaram as suas relações para tentar fazer negócios. Caiu porque tinha sede de poder.
(Thomas Traumann)
Escrito por Gustavo - 28/03/06 19:57:08
Então tá...
O senador Fernando Bezerra (PTB-RN), que supostamente lidera a bancada do governo no Congresso, a disse uma frase que define bem a articulação política do Planalto no Congresso. "O governo vive esquecendo que eu sou o líder. Eu também esqueço e fica bom para todo mundo..."
Andrei Meireles
Escrito por Gustavo - 28/03/06 19:53:50
Quem vai dançar
A expectativa na Câmara é que, se o caso for a julgamento amanhã, o deputado João Paulo Cunha não escapa da cassação. O clima não está para absolvições desde que a deputada Angela Guadagnin (PT-SP), foi flagrada dançando no plenário da Câmara depois que o colega João Magno se salvou.
Por falar nela, hoje no Conselho de Ética, a deputada se justificou. "Eu não cantei e não dancei. Apenas fiz uma manifestação de corpo inteiro".
Andrei Meirelles
Escrito por Gustavo - 28/03/06 19:48:18
Do mesmo tamanho
O novo ministro da Fazenda, Guido Mantega, conversou apenas rapidamente com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. O suficiente para marcarem uma reunião mais longa. Não será uma conversa entre chefe e subordinado. Na reunião que teve hoje com o presidente Lula, Meirelles ouviu que o governo vai levar a sério a lei que dá ao presidente do Banco Central o status de ministro.
Meirelles já deixou claro que só fica no cargo até o final do governo se puder manter a autonomia sobre as decisões de juros.
Gustavo Krieger
Escrito por Revista Época - 28/03/06 17:13:22
Rosinha deve renunciar ao governo do Rio
A governadora do Rio, Rosinha Garotinho (PMDB), prepara a sua renúncia nos próximos dias. Ela deixa o cargo para permitir que o marido, Anthony Garotinho, seja candidato em outubro mesmo que o PMDB barre as suas pretenções presidenciais. Pelas regras atuais, se Rosinha permanecer como governadora, Garotinho só poderá ser candidato a presidente.
Com a renúncia e a provável decisão do PMDB de não ter candidato a presidente, Rosinha deverá disputar o Senado, enquanto Garoinho tentará ser deputado federal.
Com a saída da governadora, assume o ex-prefeito Luiz Paulo Conde, que nunca se destacou pelas boas relações com o casal Garotinho.
(Thomas Traumann)
Escrito por Revista Época - 28/03/06 16:54:41
Idéia da oposição: CPI do Okamotto
Com Palocci fora do jogo, a ordem na oposição é partir com tudo pra cima do presidente Lula. O alvo agora é o amigo presidencial Paulo Okamotto, que pagou dívidas de Lula com o PT. Quando o caseiro Francenildo Costa foi impedido de falar na CPI dos Bingos, o PFL saiu em busca de assinaturas para ampliar o foco da comissão e trazer a testemunha-bomba de volta aos holofotes. Essa lista de nomes pode agora servir à criação de uma nova CPI, a CPI do Okamotto. A conferir.
Ronald Freitas
Escrito por Revista Época - 28/03/06 16:54:06
Azeredo ajuda Dirceu
O arquivamento pelo Conselho de Ética do Senado do processo contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), por uso de caixa 2 na eleição de 1998, vai virar uma das peças de defesa do ex-deputado petista José Dirceu na sua luta pela recuperação dos direitos políticos. O Senado arquivou a investigação contra Azeredo com a alegação de que o senador mineiro não poderia ser acusado de falta de decoro por fatos ocorridos fora do exercício do mandato parlamentar. Acusado de ser o suposto comandante do esquema do mensalão, quando estava na chefia da Casa Civil da Presidência, Dirceu tentou usar o mesmo argumento para escapar do processo de cassação do mandato pela Câmara no ano passado. Mas nem os deputados nem o Supremo Tribunal Federal (STF) acolheram a defesa do ex-deputado. Agora, com a decisão do Senado sobre Azeredo, os advogados de Dirceu vão voltar à carga com a tese.
(Ricardo Mendonça)
Escrito por Revista Época - 28/03/06 14:29:18
Carga pesada
O relatório final da CPI dos Correios, que será apresentado amanhã, vai pedir o indiciamento de mais 130 pessoas. Na conexão entre o mensalão e as fraudes nos fundos de pensão, dois personagens se destacam: o petista Marcelo Sereno, ex-assessor de José Dirceu na Casa Civil, e o doleiro Lúcio Funaro, aquele envolvido com o PMDB do ex-governador Anthony Garotinho. O subrelator Antonio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA) pede o indiciamento de Sereno por seis crimes e de Funaro em 11. Só para se ter uma idéia de grandeza: Marcos Valério, engrenagem central do mensalão, será indiciado por nove crimes.
Leandro Loyola
Escrito por Gustavo - 28/03/06 11:54:03
Imagem arranhada
As pesquisas de opinião que chegaram ao Planalto nos últimos dias são preocupantes para o presidente Lula. Muito preocupantes.
Gustavo Krieger
Escrito por Gustavo - 28/03/06 11:51:30
Aliança improvável
O presidente nacional do PSDB, Tasso Jereissati, tenta montar uma operação para convencer o PPS a retirar a candidatura de Roberto Freire à presidência e apoiar Geraldo Alckmin. Foi avisado que é quase impossível. Seria mais fácil se o candidato fosse José Serra, com quem o partido se identifica mais. O PPS continua inclinado a lançar candidato para ocupar um espaço político que considera vaga com a crise moral do PT. No segundo turno, a conversa será outra.
Andrei Meireles