Escrito por Gustavo - 27/03/06 16:09:21
Lexotan

O clima na Esplanada dos Ministérios é de muita preocupação com o depoimento do presidente da Caixa, Jorge Mattoso. Ele foi responsabilizado por funcionários da própria Caixa pela quebra de sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Mattoso foi muito pressionado a assumir toda a responsabilidade pelo caso, mas é considerado imprevisível dentro do próprio governo. Podem faltar poucas horas para resolver o caso.
Gustavo Krieger
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Escrito por Gustavo - 27/03/06 16:13:59
Senso de oportunidade é isto

Parece incrível, mas o governo vai dar uma festa. Na quinta-feira, será a inauguração da reforma do Palácio da Alvorada. As obras começaram no início do ano passado e custaram mais de R$ 18 milhões. O dinheiro foi doado por empresas privadas.
Murilo Ramos
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Escrito por Gustavo - 27/03/06 16:50:21
Madrugada movimentada

A agitada noite de ontem na CPI dos Correios, em pleno domingo, não envolveu só os governistas nervosos e desgostosos com o texto final preparado pelo deputado Osmar Serraglio. Técnicos da Comissão juram que um parlamentar da oposição tentou tirar algumas provas contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), acusado de suposto uso de Caixa 2 na campanha pela reeleição do governo de Minas Gerais, em 1998. A tentativa, no entanto, foi frustrada. Pelo menos é o que garantem os mesmos técnicos da CPI.
Andrei Meireles
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Escrito por Gustavo - 27/03/06 17:25:50
Caiu

Palocci caiu. Não esperou nem mesmo o fim do depoimento de Jorge Mattoso.

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Escrito por Gustavo - 27/03/06 18:44:18
Cronologia

Em seu depoimento à Polícia Federal, o presidente da Caixa, Jorge Mattoso, disse que recebeu o envelope com os extratos bancários do caseiro Francenildo dos Santos Costa na noite de quinta-feira, durante um jantar. Quem fez a entrega foi mesmo o consultor da presidência, Ricardo Schumann. Do restaurante, Mattoso foi para a casa de Palocci em Brasília e entregou o envelope ao ministro.
Mattoso entregou o chefe, mas apresentou uma versão que tenta fugir à acusação de que o sigilo foi quebrado por ordem do governo. Diz que foi alertado por técnicos da Caixa de que havia "atipicidades" na movimentação bancária de Francenildo e por isto pediu a investigação. Na sexta-feira, depois de entregar os papéis ao ministro, ele encaminhou o caso ao COAF, o órgão do governo encarregado de investigar lavagem de dinheiro.
Matheus Machado
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Escrito por Gustavo - 27/03/06 18:47:18
Não apareceu o bode

O ministro Antonio Palocci tentou até a última hora encontrar uma saída que o poupasse no caso do caseiro. Ele tentou convencer o presidente da Caixa e assessores a assumirem toda a responsabilidade pela operação. A idéia era mostrar que "radicais" teriam agido sem conhecimento do ministro. Não conseguiu convencer ninguém.
Gustavo Krieger
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Escrito por Gustavo - 27/03/06 19:08:51
O que acontecerá?

Guido Mantega tem sido um crítico da política econômiva de Palocci mas é, acima de tudo, um disciplinado seguidor do presidente Lula. Guido é daqueles assessores pessoais, com quem Lula tem intimidade para brigar. O presidente deixou claro que não quer mudanças dramáticas na economia. Pelo menos durante a campanha eleitoral. Neste momento, com Palocci no Planalto, Lula articula para manter na equipe econômica nomes que considera chaves para passar a idéia de estabilidade, como o secretário-executivo, Murilo Portugal. Até agora, não há respostas.
O problema é saber se todas as propostas de bom comportamento serão cumpridas. Nos últimos meses, Palocci vinha sofrendo forte cerco dentro do governo. Uma frente de ministros, liderados por Dilma Roussef, da Casa Civil, pressionava por aumento nos gastos públicos. Com Guido, simpático aos pedidos, a coisa pode ser diferente.
Gustavo Krieger
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Escrito por Revista Época - 27/03/06 19:12:19
Mantega não é Palocci

O governo fará um esforço incrível para demonstrar que a troca de Antonio Palocci por Guido Mantega não mudará nada no cotidiano da economia, mas não é bem assim. Mantega é bem diferente do antigo ministro. Alguns exemplos:
 Mantega é um defensor intransigente da queda da TJLP, a taxas dos empréstimos do BNDES. Por pressão do BC, o BNDES estava de mãos atadas no caso;
 O novo ministro nutre uma antipatia contida pelo secretário do Tesouro Joaquim Levy, um dos principais auxiliares de Palocci. O sentimento é reciproco
 Ao contrário do que considera a maioria dos ainda membros do Ministério da Fazenda, Mantega não acha que “política industrial” seja um palavrão. Numa conversa com este repórter, afirmou "O Brasil ficou sem política de desenvolvimento desde o governo Geisel. Os liberais acharam que isso não aconteceria mais. As linhas de crédito do BNDES vão provar que eles erraram”.
 Tem simpatias por medidas protecionistas, algo impensável na gestão Palocci. Numa entrevista ainda na campanha de 2002, defendeu represálias em caso de problemas comercias (à época, os EUA adotaram uma taxa ilegal na importação do aço brasileiro). E deu um exemplo:”os alimentos importados dos EUA entram no Brasil sem inspeção fitossanitária. Pois os produtos americanos poderiam passar por inspeção”.

(Thomas Traumann)
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Escrito por Gustavo - 28/03/06 09:46:23
Duas formas de encarar a crise

Fernando Henrique Cardoso também enfrentou crises sérias, como acusações de compra de votos para a reeleição e irregularidades no processo de privatização. A grande diferença dele para Lula foi a forma de lidar com estas crises. FHC sempre tentou resolver tudo rapidamente, fosse usando a base governista no Congresso para impedir CPIs indesejáveis, fosse pela facilidade que tinha para cortar assessores envolvidos em denúncias. O governo Lula amplifica as crises, seja por ações como a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, seja por erros políticos. Lula resiste a demitir quem se envolve em denúncias, porque vê em tudo uma queda de braço com a oposição ou com a mídia.
Geraldo Alckmin passou por seu primeiro grande teste como administrador de crises com a denúncia feita no domingo pelo jornal Folha de S. Paulo de que teria havido favorecimento a aliados no uso de verbas de publicidade. Defendeu seu governo, negou as irregularidades, mas aceitou a demissão do assessor citado nas notícias. Mostrou que está adaptado ao estilo FHC.
Gustavo Krieger
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