Escrito por Gustavo - 22/03/06 11:35:21
Santo de casa
O Ministro dos Esportes, Agnelo Queiroz, deixa o cargo no dia 31 para concorrer ao governo do Distrito Federal. Mas vem investindo pesado na sua base eleitoral enquanto está no cargo. Out-doors espalhados pela cidade proclamam que "121 mil crianças" do DF são atendidas pelo programa "Segundo Tempo", do ministério. O programa oferece atividade esportivas e culturais a crianças carentes fora do horário escolar.
O Distrito Federal é o segundo Estado com mais estudantes atendidos, segundo os números do Ministério. Perde apenas para a Bahia, onde são atendidos 144 mil jovens. A diferença é que a Bahia tem 4,8 milhões de crianças e jovens em idade escolar, segundo o IBGE. No Distrito Federal, são 765 mil jovens.
São Paulo, onde há quase 12 milhões de crianças e jovens em idade escolar, tem 83 mil estudantes atendidos pelo segundo tempo.
Ouvido por Época, o ministro Agnelo negou favorecimento ao Distrito Federal. Disse que os números de atendimentos se explicam pelas parcerias firmadas com federações esportivas nos estados.
Ana Paula Galli
Escrito por Gustavo - 22/03/06 12:23:43
As regras do jogo
Por poucas horas, as atenções do mundo político vão se deslocar do Congresso, onde se discute a quebra do sigilo bancário do caseiro que faz o ministro Antônio Palocci sangrar, para o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF). É lá onde será batido o martelo da verticalização, a regra que obriga os partidos a repetir nos Estados as alianças nacionais. Embora a principal aposta seja na manutenção da regra já confirmada pelo Tribunal Superior Eleitoral, os principais candidatos à presidência da República ainda aguardam a definição dos ministros do STF.
Na dúvida, o tucano Geraldo Alckmin telefonou para o peemedebista Anthony Garotinho para dar-lhe os parabéns pela vitória na consulta informal para definir o candidato do PMDB à presidência, no último domingo. Interessa-lhe a candidatura do PMDB, por diminuir a possibilidade de o presidente Lula reeleger-se no primeiro turno mas, mais ainda, o apoio dos oposicionistas do PMDB a sua candidatura num eventual segundo turno com Lula, o cenário mais provável, de acordo com as últimas pesquisas de inteção de voto.
A manutenção da verticalização deve fazer o instinto de preservação do PMDB prevalecer. Como nas duas últimas eleições, o partido comandado por importantes líderes regionais deve ficar sem candidato a presidente mais uma vez. É o fim do sonho do presidente do STF, Nelosn Jobim, de voltar ao partido e ser indicado vice na chapa do presidente Lula. Nesse caso, a chapa Lula-José Alencar deve se repetir, mesmo Alencar tendo trocado o PL mensaleiro por um partido nanico, que só deve ter candidato com alguma chance ao governo do Rio.
O ministro Ciro Gomes, que diante da possibilidade de a verticalização cair foi lembrado para vice, deve disputar uma vaga de deputado federal pelo Ceará. Se seu partido se coliga ao PT, teria de repetir a aliança em todos os Estados, uma situação impensável em Pernambuco, por exemplo, onde o presidente nacional da sigla, Eduardo Campos, deve ser adversário do petista Humberto Costa na disputa pelo governo do Estado. A verticalização também atrapalha os planos da frente anti-ACM que vinha sendo articulada na Bahia pelo PT e o PSDB. Principais adversários no plano federal, os tucanos e petistas podem até se unir informalmente, mas não poderão somar o tempo de TV para tentar derrotar o governador Paulo Souto (PFL), candidato à reeleição.
Ronald Freitas
Escrito por Gustavo - 22/03/06 12:55:32
Está no forno
O BNDES prepara o anúncio do primeiro financiamento do banco para uma usina de biodiesel. Propriedade da empresa BsBios, a usina, que vai produzir o biodiesel a partir da soja, funcionará no Rio Grande do Sul. Do custo total, R$ 41 milhões, o BNDES vai financiar cerca de 70% - quase R$ 28 bilhões. A usina terá capacidade para produzir 100 milhões de litros de biodiesel por ano. Atualmente há quatro usinas de biodiesel em funcionamento no Brasil. Elas estão no Piauí, São Paulo, Pará e Minas Gerais.
(Murilo Ramos)
Escrito por Gustavo - 22/03/06 16:40:34
Contagem regressiva
A ala governista do PMDB está de olho no calendário. Dia 31 termina o prazo para que os governadores deixem os cargos se desejarem disputar as eleições. Se a governadora do Rio, Rosinha Matheus não deixar o cargo nesta data, o marido dela, Anthony Garotinho ficará impedido de disputar uma vaga de deputado federal pelo estado. A candidatura à Câmara é o "plano B" de Garotinho caso a candidatura dele à presidência da República seja barrada na convenção nacional do PMDB, como parece provável. O problema é que a convenção só vai acontecer em junho, o que coloca Garotinho numa enrascada. Se Rosinha não sair agora, ele fica sem alternativas. Se ela sair, Garotinho dá uma demonstração de pouca fé na própria candidatura.
Andrei Meireles
Escrito por Gustavo - 22/03/06 16:46:07
Big Brother
Depois que a senadora petista Ideli Salvati requisitou cópia das fitas do sistema de vídeo do Senado, na esperança de provar que o caseiro Francenildo visitou parlamentares da oposição antes de depor, o tucano Antero Paes de Barros ficou desconfiado. Conferiu, uma a uma, as câmeras de vídeo do corredor de seu gabinete no Senado. Descobriu que quase todas apontam para o meio do corredor. Apenas uma está fixada de frente para a porta de um gabinete: o dele. Ao focar o gabinete de Antero, a câmera fica cega para a porta do gabinete em frente. Por coincidência, o de Ideli Salvatti. O tucano pediu uma investigação à presidência do Senado.
(Andrei Meirelles)
Escrito por Gustavo - 22/03/06 17:30:30
H4A00000, a chave da quebra de sigilo
Um repórter de Época, curioso e dono de uma conta na Caixa Econômica Federal foi à sua agência hoje e pediu um extrato trimestral. Recebeu um papel praticamente igual ao que continha as informações sobre a movimentação bancária do caseiro Francenildo dos Santos Costa. Exceto por uma pequena diferença. Cada um dos extratos tem no canto inferior direito um código alfanumérico. O do extrato de Francenildo é H4A00000. Perguntando um pouco mais, o repórter descobriu que este é um código gerado a cada operação pelo sistema de computadores da Caixa. Permite identificar o terminal ou ao menos o servidor de computador de onde foi feita a apuração. Segundo a Caixa, há casos de terminais usados por mais de um funcionário, mas este código ajuda a reduzir muito a busca. Especialmente para uma operação feita às 20h58 de uma quinta-feira.
Outra coisa. No Congresso, há a suspeita de que tenha sido apagado do extrato de Francenildo o número de matrícula do funcionário que teria feito a consulta. No extrato do repórter, obtido oficialmente, não há nenhum número de matrícula. E os dois parecem exatamente iguais.
Gustavo Krieger
Escrito por Gustavo - 22/03/06 18:24:49
Sobre o futuro 1
Um experiente político paulista diz que o martelo está batido em torno de uma forte chapa em São Paulo. Teria José Serra para governador, Afif Domingos (PFL) para vice e Orestes Quércia para o Senado. A conferir.
(Ronald Freitas)
Escrito por Gustavo - 22/03/06 18:30:36
Sobre o futuro 2
Também no Congresso hoje, um parlamentar bem próximo a Ciro Gomes garante que o ministro já definiu seu destino. Será candidato a deputado federal pelo Ceará. Negocia com o presidente Lula para deixar seu chefe de gabinete, Pedro Brito, como substituto.
(Ronald Freitas)
Escrito por Revista Época - 22/03/06 18:32:14
E depois do Palocci?
Depois de meses falando bem do Brasil, mesmo com a situação delicadíssima do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o mercado financeiro mostrou hoje uma pequena ponta de desconfiança. Não com a saída de Palocci, dada como certa, mas com o que pode vir depois dele. Em relatório enviado a grandes clientes nacionais e estrangeiros, o banco ABN Amro diz que a equipe de Palocci tocaria o barco tranquilamente até o final do ano. Mas levanta dúvidas quanto ao futuro da economia num eventual segundo mandato de Lula. Questionam: sem Palocci, quem o presidente teria para enfrentar problemas difíceis a partir de 2007, como os necessários cortes nos gastos do governo?
Leandro Loyola
Escrito por Gustavo - 23/03/06 07:34:07
Um resultado previsível
O episódio de ontem - absolvição de dois mensaleiros por falta de quorum para a votação, era esperado há um bom tempo pelos parlamentares mais experientes da Câmara. Houve uma primeira fase nos julgamentos onde a pressão da opinião pública obrigava os deputados a comparecer ao plenário e votar. Quem foi absolvido neste momento, como Roberto Brant (PFL) ou o Professor Luizinho (PT), precisou mobilizar um lobby poderoso para salvar a pele. Os julgamentos desta quarta-feira deram a senha para uma segunda etapa, na qual boa parte dos parlamentares aposta que no caso entrou para a vala comum ou foi soterrado por novos escândalos. Assim, fica mais fácil sumir do plenário na hora do voto. Por isto, tantos parlamentares se esforçaram para ficar no fim da fila do julgamento.
(Gustavo Krieger)