Escrito por Revista Época - 17/03/06 18:45:02
Extratos revelam depósitos para caseiro
O caseiro Francenildo dos Santos Costa, que ganhou fama ao aparecer na CPI dos Bingos esta semana acusando o ministro Antonio Palocci de freqüentar a “casa do lobby”, montada por lobistas de Ribeirão Preto pode ser um trabalhador humilde, como foi descrito diversas vezes, mas está longe de passar por dificuldades financeiras. Época teve acesso a um conjunto de extratos de uma conta poupança na Caixa Econômica Federal em nome dele. A conta, de número 1048-8, fica na agência do Lago Sul, próxima à casa onde ele trabalhae mora. Segundo estes extratos, desde o início do ano, a conta recebeu depósitos de R$ 38.860,00. Todos foram registrados como “depósitos em dinheiro”. Francenildo reconheceu os depósitos. De acordo com o caseiro, eles foram resultado de uma doação familiar.
Os extratos indicam que, quando o ano começou, a conta em nome do caseiro tinha um saldo de R$ 24,76. No dia 6 de janeiro, é registrado um depósito de R$ 10.000,00. Três dias depois, aparece um saque com cartão eletrônico de R$ 2.500,00. Nos dias seguintes, há outros saques, de menor valor. Em 6 de fevereiro, aparece um outro depósito, desta vez de R$ 9.990,00. A conta fica parada até o dia 15 de fevereiro, quando há um saque de R$ 15.000,00, novamente com cartão eletrônico. Um dia depois, outro depósito, desta vez de R$ 10.000,00, mais uma vez em dinheiro.
No dia 3 de março, há o registro de mais um depósito, de R$ 3.870,00. Finalmente, em 06 de março há outro depósito no valor de R$ 5.000,00. No dia 16 de março, quando foi tirado o extrato, o saldo da conta é de R$ 19.662,35. Neste dia, Francenildo depôs na CPI.
Ao receber os extratos, a reportagem de Época entrou em contato com o advogado Wlício Chaveiro Nascimento, que representa o caseiro. Ele levou um susto. “Não sabia que ele tinha dinheiro. Estou defendendo ele de graça”. Quinze minutos depois, o advogado telefonou para a redação. De acordo com ele, Francenildo reconheceu os depósitos, mas disse que o dinheiro veio de seu pai. “Ele é filho bastardo do empresário Euripedes Soares da Silva, dono de uma empresa de ônibus em Teresina. O pai mandou este dinheiro em segredo, porque a família não sabe que ele ajuda o Francenildo”, disse o advogado.
Segundo o caseiro, o pai mandou R$ 25 mil. O saque de R$ 15 mil teria sido para comprar um carro. “Ele desistiu de comprar o veículo e depositou de novo boa parte do dinheiro, cerca de R$ 13 mil”. O empresário Euripedes Soares confirmou à Época que fez os depósitos, mas negou que seja pai do rapaz. "O sobrenome dele é muito diferente do meu para eu ser pai dele", disse. Ele afirma que só vai explicar o motivo do depósito "depois de falar com um advogado".
(Gustavo Krieger e Andrei Meirelles)
Escrito por Revista Época - 17/03/06 18:42:30
O Programa de Alckmin
Os tucanos decidiram que a base do programa de governo do candidato Geraldo Alckmin será fornecida pelo Instituto Teotônio Vilela, centro de estudos do PSDB. Mas também receberá sugestões de colaboradores de fora. Nos preparativos para a campanha presidencial, Alckmin tem conversado com economistas de tendências tão diferentes como o ex-secretário de Fazenda de São Paulo Yoshiaki Nakano, defensor do controle do câmbio, e o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, responsável pela introdução do cãmbio flutuante durante o governo FHC. Há uma disputa velada entre economistas paulistas, "desenvolvimentistas", e cariocas, "ortodoxos", pela primazia de quem faz a cabeça do governador-candidato. Em
entrevista a ÉPOCA, publicada na edição que comeca a circular neste sábado, Alckmin dá uma no cravo e outra na ferradura. Ao dizer que vai baixar os juros, defende tanto um corte drástico nos gastos públicos, fórmula preferida pelos ortodoxos, como insinua a possibilidade de dar um susto nos que acreditam que ele não é dado a ousadias. Aguarda-se para os próximos meses o desfecho dessa competição.
(Guilherme Evelin)